Reunir uma equipe de médicos para um seminário, em um domingo de dezembro, não é tarefa fácil para ninguém. Mas, para a equipe do CIES, desafios são sempre bem-vindos.

Com o apoio do Blue Tree e operacionalização da ponteAponte, realizamos no dia 4 de dezembro o 1º Simpósio CIES de Empreendedorismo Social. Em clima de fechamento de final de ano, os médicos que atendem nas unidades móveis do projeto, como a Carreta e a Van da Saúde, se encontraram para um dia inteiro de atividades.

A vitória no Prêmio Empreendedor Social 2010 da Folha de S. Paulo e Fundação Schwab levou o CIES a ter que aumentar a equipe e, com isso, surgiu a necessidade de um encontro para explicar muitos pontos, como, por exemplo, diferenças entre empresas sociais e filantropia.

Para esclarecer o tema, Eugênio Scanavino, do Saúde e Alegria, também integrante da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais, falou do atendimento que realiza na Amazônia. Eugênio apontou as glórias e as dificuldades em tramitar por diferentes esferas públicas e privadas para ter apoio e manter os atendimentos. O premiado Dr. Saúde e Alegria levantou ainda temas como “crédito social” proporcionado por negócios sociais. “O crédito social alcançado com nossos trabalhos evita gastos com pacientes para o Estado”. No frigir dos ovos podemos falar em dados financeiros, mas não é só dele que estamos falando.

No mesmo tom, Maure Pessanha, diretora da Artemisia, apontou a importância dos empreendedores sociais para a construção de uma sociedade efetivamente sustentável. “Negócio social tem a ver com necessidades sociais reais. Precisamos disto. É muito perigoso o estímulo do consumo da classe C e D sem que pensemos isso com sustentabilidade”. Maure se refere ao movimento de extrema valorização de melhoras de condições sociais pautadas pelo poder de consumo. “Pobreza, como já apontou Amartya Sem, é a privação das capacidades básicas de um indivíduo. Isso tem a ver com educação, saúde e liberdade”.

Relembrando o discurso de Dr. Kikawa, que citou Martin Luther King no Prêmio de 2010, hoje, com certeza, os médicos do Projeto CIES “não serão mais quem eram”.